A 28 de abril de 2025, uma falha generalizada na rede elétrica ibérica provocou o colapso da infraestrutura de telecomunicações em Espanha e Portugal, obrigando as antenas móveis a depender de baterias e geradores. Ao cair da noite, mais de metade dos utilizadores em vastas zonas do território espanhol e mais de 60% nas áreas portuguesas mais afetadas ficaram sem serviço.
Este acontecimento evidenciou a importância das reservas de energia, permitindo que empresas como a operadora portuguesa MEO registassem perdas de cobertura em apenas 16% dos seus clientes. Em contraste, as infraestruturas de outras empresas de implantação mais recente, como a DIGI, sofreram desconexões massivas de até 90%, que se prolongaram por mais de um dia. Outras empresas registaram quedas intermédias, rondando uma perda de sinal de 30% no caso da NOS e de cerca de 70% para a Vodafone no mercado português.
No final do ano passado, o setor privado começou a tomar medidas concretas através de investimentos em planos de melhoria energética e no reforço de milhares de locais críticos. Em novembro de 2025, o Grupo Vodafone anunciou um programa que iniciou a sua implementação em Portugal, para dotar os centros de dados móveis de até setenta e duas horas de autonomia, apoiando-se em sistemas de inteligência artificial para maximizar a duração das baterias.
Por seu lado, a operadora de infraestruturas Cellnex começou a integrar sistemas de alimentação ininterrupta e bancos de energia numa ampla rede de instalações a nível internacional, na mesma linha em que a portuguesa MEO ampliou recentemente os seus centros de rede e estações de ligação para garantir uma maior redundância física nas rotas de conectividade transatlânticas.
Enquanto as empresas iniciavam as suas implantações, as administrações públicas começaram a tramitar novas exigências de segurança. O Ministério da Transformação Digital de Espanha apresentou, em dezembro de 2025, um anteprojeto para classificar as redes como essenciais, estabelecendo tempos de funcionamento obrigatório entre quatro e vinte e quatro horas sem fornecimento elétrico externo.
O objetivo desta regulamentação é garantir a cobertura a 85% da população. No entanto, o desenvolvimento legal revelou uma discrepância económica significativa entre o governo, que estima o custo da adaptação em 73 milhões de euros, e as estimativas dos operadores, que elevam o custo do reforço das instalações para cerca de 300 milhões.
Após o encerramento da consulta pública no início do ano seguinte, a Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência espanhola sugeriu, em março de 2026, uma aplicação gradual da norma em Espanha, dando prioridade à utilização da itinerância entre redes e às ligações via satélite.
Um mês antes dessa recomendação, a utilidade prática das infraestruturas espaciais já tinha sido comprovada em Portugal. Entre janeiro e fevereiro de 2026, uma série de fortes tempestades afetou o país e reduziu consideravelmente a velocidade e a disponibilidade das ligações móveis devido a cortes de eletricidade. Durante este período, a atividade dos utilizadores ligados às infraestruturas de satélite da Starlink quase triplicou em relação aos seus valores habituais, o que levou a autoridade reguladora portuguesa a ativar a utilização de redes móveis partilhadas a nível nacional.
Coincidindo com o primeiro aniversário do incidente ibérico em abril de 2026, o parlamento de português propôs estabelecer uma autonomia energética entre vinte e quatro e setenta e duas horas para as infraestruturas críticas e a criação de um sistema de alertas à população independente das redes comerciais.
Esta medida vem somar-se às sugestões anteriores do regulador de telecomunicações português, que aconselha a utilização da tecnologia de difusão celular direta para os dispositivos, em vez das mensagens de texto convencionais (SMS), para evitar a saturação dos canais de comunicação durante situações críticas.







