O ecossistema global de pagamentos entre empresas está a registar uma evolução assimétrica, com a Europa a apresentar um crescimento de 11,7% nos fluxos corporativos. Este desempenho coloca o continente europeu num ritmo mais moderado quando comparado com outras geografias mundiais. A liderança da evolução global pertence à região da Ásia-Pacífico, que regista uma progressão de 14%, seguida de perto pela América Latina com um aumento de 13,8%. Abaixo destas taxas, mas ainda acima do registo europeu, situa-se a região do Médio Oriente e África com 12,7%, enquanto a América do Norte demonstra o comportamento mais contido deste indicador, fixando-se nos 7,5%.
Esta dinâmica regional coincide com um período de transformação impulsionado pela aceleração dos pagamentos instantâneos, pela exigência de maior eficiência operacional e pela emergência de modelos financeiros integrados através da tecnologia. De acordo com o estudo setorial desenvolvido pela Nuek, o valor dos pagamentos B2B deslocou-se definitivamente da execução transacional para a automatização e inteligência de dados. Esta análise reflete as perspetivas e a visão estratégica de gestores provenientes de grandes corporações, do setor bancário, de empresas tecnológicas e de redes internacionais, incluindo entidades como a Mastercard, Visa, Iberpay, PayPal, Repsol, Iberia, Diners Club Spain, Ibercaja Banco, ID Finance e Sipay.
O principal obstáculo à modernização dos pagamentos reside atualmente na dificuldade de integração em ambientes empresariais complexos e fragmentados. A tecnologia disponível já não constitui a barreira principal, mas sim a persistência de atritos estruturais dentro das organizações. Fatores como a baixa interoperabilidade entre sistemas existentes, a dispersão de ferramentas operacionais, a complexidade dos processos e a ausência de padronização continuam a atrasar a transição para modelos financeiros plenamente automatizados.
A este cenário acrescem barreiras de ordem organizacional, nomeadamente o desalinhamento entre diferentes departamentos e a reduzida prioridade estratégica concedida a esta matéria. No segmento das pequenas e médias empresas, o progresso encontra-se condicionado por receios associados aos custos de integração, pela falta de conhecimento técnico especializado e pela perceção dos riscos associados à mudança.
Como resultado, o pagamento corporativo deixa de ser visto como uma ação manual e isolada para passar a funcionar como uma infraestrutura conectada aos fluxos de trabalho. A conectividade entre os sistemas de gestão, as ferramentas de tesouraria e as entidades bancárias permite que o disparo de um pagamento ocorra de forma automática após um evento operativo, como a validação de uma fatura ou a conclusão de um processo logístico, diminuindo a intervenção humana.
O subdiretor executivo da Nuek, Enrique Álvarez, salienta que as direções de tesouraria caminham para modelos operacionais consideravelmente mais dinâmicos. De acordo com o responsável, as soluções financeiras corporativas vão passar a integrar diferentes canais, sistemas instantâneos e moedas digitais estáveis na mesma estratégia de gestão de liquidez, transferindo a lógica de decisão do utilizador para os próprios sistemas informáticos através de inteligência artificial e regras de negócio.
As empresas tendem a abandonar a dependência de um método de pagamento único, optando pela combinação dinâmica de várias opções disponíveis no mercado em função do custo, da urgência e do risco de cada operação. A concorrência no setor financeiro será redefinida pela capacidade dos fornecedores se integrarem nativamente na lógica operacional e na gestão financeira dos clientes. Neste ecossistema mais distribuído e colaborativo, bancos, plataformas tecnológicas e entidades de base tecnológica competem e cooperam para fornecer uma camada de inteligência capaz de otimizar cada transação financeira em tempo real.







