União Europeia impulsiona grupo de trabalho para aplicar Código de Práticas de IA de Propósito Geral

Esta iniciativa da EU visa garantir uma aplicação coerente das regras comunitárias antes da plena execução do regime sancionatório em 2026.
12 de Fevereiro, 2026

Desde 2 de agosto de 2025, o regulamento europeu para fornecedores de modelos de inteligência artificial de uso geral (GPAI) é de cumprimento obrigatório, introduzindo um novo quadro com o qual a União Europeia procura garantir a transparência, a segurança e a responsabilidade no setor. Para demonstrar a sua conformidade com esta regulamentação, os fornecedores podem aderir ao Código de Boas Práticas, um instrumento voluntário elaborado por peritos independentes após um processo que envolveu várias partes interessadas e que contou com o apoio da Comissão Europeia e do Conselho de IA.

Com vista a agosto de 2026, data em que entrará em vigor a aplicação coerciva das normas da Lei da IA, os signatários deste código constituíram um grupo de trabalho com o objetivo de facilitar uma aplicação coerente e unificada dessas diretrizes. Este novo órgão, presidido pelo Gabinete Europeu de IA, nasce com a vocação de servir como ponto de encontro e intercâmbio para as organizações que, tendo subscrito o Código, decidam voluntariamente fazer parte do grupo.

De acordo com os dados disponíveis, a maioria das entidades aderentes ao Código de Boas Práticas já formalizou a sua adesão como membros deste grupo operacional, cuja função principal é promover o intercâmbio de pontos de vista entre os signatários, sempre que tal seja pertinente para a correta implementação do texto normativo.

Entre as competências atribuídas a este grupo de trabalho encontra-se a sua capacidade de fornecer informações sobre os documentos de orientação, sem que isso prejudique as consultas públicas que o Gabinete de IA é obrigado a realizar, bem como servir de quadro para debater a evolução tecnológica do setor, recolher conhecimentos e fornecer atualizações a terceiros interessados. Trata-se, em suma, de um espaço concebido para procurar e analisar investigações, contribuições de peritos independentes e provas atualizadas que sejam relevantes para os compromissos ou medidas estipulados no Código.

As reuniões deste grupo de trabalho terão uma periodicidade mínima anual, e quem convocará estas reuniões será o Gabinete de IA, por iniciativa própria ou a pedido dos membros, atuando este organismo regulador como facilitador dos debates.

Num esforço para manter a clareza perante os cidadãos e o mercado, o Gabinete de IA comprometeu-se a registar todas as reuniões realizadas e a publicar um resumo de alto nível, respeitando sempre as informações que possam ser consideradas comercialmente confidenciais. Como prova desta política de abertura, foi publicado um vademécum do grupo que inclui a lista de participantes.

Esta iniciativa não é inédita na regulamentação digital europeia, uma vez que a estrutura e a filosofia do Grupo de Trabalho de Signatários tem um precedente direto no Grupo de Trabalho Permanente criado ao abrigo do Código de Boas Práticas em matéria de Desinformação, ligado à Lei dos Serviços Digitais.

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