União Europeia lança concurso para construir até sete gigafábricas de IA

A Comissão Europeia abriu um concurso público, cofinanciado por 18 Estados-membros — entre os quais Portugal e Espanha —, com o objetivo de mobilizar 20 mil milhões de euros de investimento privado e reforçar a capacidade de computação avançada no continente.
3 de Agosto, 2026

Como passo prévio ao alargamento das capacidades de supercomputação na Europa, a Comissão Europeia concluiu um acordo comercial com os Estados Unidos, que resultou na assinatura de três cartas de intenção com os fabricantes norte-americanos AMD, NVIDIA e Qualcomm, destinadas a garantir o acesso ao hardware necessário. Em paralelo, 18 Estados-membros — incluindo Portugal, Espanha, Alemanha, França, Itália e outros 13 países da União Europeiaassinaram um acordo de aquisição conjunta com a Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho (EuroHPC JU).

A União Europeia abriu assim, o concurso para a instalação de até sete gigafábricas de inteligência artificial no continente. A iniciativa pretende reforçar a atual rede de 19 fábricas de IA através da criação de centros de processamento avançado destinados ao treino, à inferência e ao ajuste fino de modelos de fronteira.

A iniciativa prevê captar, pelo menos, 20 mil milhões de euros de investimento privado, a partir de 10 mil milhões de euros de financiamento público. A estrutura financeira exige que os Estados participantes contribuam com um montante equivalente ao disponibilizado pelos fundos comunitários, funcionando o capital público como incentivo para mobilizar o investimento privado necessário à construção e à operação das instalações.

Dezoito Estados-membros, entre os quais Portugal e Espanha, subscreveram o acordo para a aquisição conjunta de tempo de computação. As infraestruturas estarão disponíveis para empresas emergentes, pequenas e médias empresas, grandes grupos industriais, instituições académicas e administrações públicas, operando ao abrigo das normas europeias em matéria de proteção de dados, segurança e ética.

O concurso está organizado em dois lotes distintos e em duas fases de desenvolvimento, prevendo o primeiro lote a seleção de até quatro projetos. Na primeira fase, cada iniciativa poderá receber um máximo de 100 milhões de euros de fundos europeus e deverá instalar uma quantidade de processadores avançados, pelo menos, equivalente à existente na fábrica de IA mais potente da Europa. Na segunda fase, o financiamento comunitário poderá atingir mais 400 milhões de euros por projeto, sendo exigida a triplicação dessa capacidade.

O segundo lote permitirá selecionar até três projetos, com um financiamento europeu máximo de 200 milhões de euros por iniciativa na primeira fase e de até 800 milhões de euros adicionais na segunda. Estes centros deverão duplicar, numa primeira etapa, a capacidade de processamento do centro europeu mais potente e quadruplicá-la durante a segunda fase.

Os consórcios selecionados poderão adquirir hardware, em qualquer uma das fases, a fornecedores europeus ou de países aliados. Poderão também reservar uma verba específica para empresas emergentes europeias, com o objetivo de reforçar a cadeia de abastecimento digital do continente. Os centros irão combinar processadores especializados, arquiteturas de software, conectividade de alta velocidade e centros de dados energeticamente eficientes.

As propostas poderão ser apresentadas, através de consórcios ou de sociedades de propósito específico, até 12 de novembro. As candidaturas poderão integrar empresas, entidades públicas e investidores. As infraestruturas poderão ser instaladas num único Estado-membro — numa ou em várias localizações — ou assumir uma estrutura distribuída e transfronteiriça.

Após o processo de avaliação competitiva, conduzido pela EuroHPC JU, a adjudicação deverá ser decidida no início de 2027. A entrada em funcionamento terá de ocorrer num prazo máximo de 18 meses. A assinatura dos contratos-quadro e dos contratos específicos, prevista ao longo de 2027, dará início à construção destas infraestruturas de computação.

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