A evolução dos sistemas financeiros na Europa tem sido pautada por marcos de profunda reorganização técnica e operacional. No final do século passado, a preparação do setor para a transição do milénio e a posterior entrada em vigor da moeda única europeia, a 1 de janeiro de 1999, exigiram um esforço conjunto sem precedentes. Esse processo histórico foi caracterizado por uma preparação extremamente rigorosa e milhares de horas de simulações complexas para assegurar a estabilidade das transações no continente.
Mais de um quarto de século após o nascimento da divisa física, o ecossistema de pagamentos prepara-se para uma nova viragem estrutural. A instituição financeira portuguesa UNICRE foi selecionada para integrar o projeto-piloto do euro digital, uma iniciativa de caráter preparatório coordenada diretamente pelo Banco Central Europeu. Este desenvolvimento insere-se no plano de trabalhos que visa analisar a viabilidade e a segurança de uma eventual emissão de uma representação digital da moeda única.
A escolha das trinta e seis entidades que participam neste teste à escala europeia obedeceu a critérios rigorosos de capacidade técnica e robustez operacional definidos pelo Eurosistema — que junta o Banco Central Europeu e os bancos centrais nacionais da Zona Euro, incluindo o Banco de Portugal. O processo de seleção procurou garantir uma representação equitativa e geograficamente equilibrada de instituições financeiras com diferentes dimensões e modelos de negócio operantes na região.
Neste cenário de testes reais, a UNICRE atuará na qualidade de instituição adquirente para disponibilizar os serviços associados ao euro digital a comerciantes selecionados. Esta intervenção prática visa testar o ecossistema em ambiente transacional real, permitindo aos retalhistas a aceitação desta nova forma de pagamento e proporcionando dados valiosos sobre a eficácia da infraestrutura técnica.
O arranque oficial do projeto-piloto em ambiente real está agendado para o segundo semestre de 2027 e terá uma duração prevista de doze meses. Durante este período, as transações serão realizadas com uma versão beta da moeda que não terá curso legal, servindo unicamente para avaliar a adequação do sistema às necessidades quotidianas de consumidores e empresas, além de permitir o aperfeiçoamento das soluções técnicas e funcionais antes de qualquer decisão definitiva de emissão por parte das autoridades europeias.
De acordo com o presidente da UNICRE, João Baptista Leite, a participação nesta fase de ensaios representa uma excelente oportunidade para aplicar o conhecimento acumulado da instituição ao serviço de um projeto com capacidade para redefinir o futuro dos pagamentos a nível europeu. O responsável sublinha que a inovação exige planeamento contínuo e cooperação setorial, assumindo com elevado sentido de responsabilidade o compromisso de contribuir para o desenvolvimento e ajuste de uma solução tecnológica que corresponda às exigências futuras do mercado.







