Voar com Wi-Fi todos queremos

O acordo entre a unidade de internet por satélite da Amazon e a Delta Air Lines reforça a disputa pelo mercado de Wi-Fi a bordo, um segmento cada vez mais estratégico para companhias aéreas e fornecedores de conectividade. A parceria abrange 500 aviões a partir de 2028 e surge num momento em que a empresa intensifica o lançamento de satélites para reduzir a distância face à Starlink, atualmente dominante neste mercado.
31 de Março, 2026

A Amazon assinou um acordo com a Delta Air Lines para fornecer conectividade Wi-Fi a bordo em 500 aeronaves da transportadora norte-americana, com arranque previsto para 2028. Segundo a Reuters esta parceria representa o segundo grande contrato da unidade de internet por satélite de órbita baixa da Amazon no setor da aviação comercial, reforçando a aposta num mercado onde a Starlink mantém, para já, uma posição mais avançada.

O serviço será instalado em novos aviões da Delta e, numa primeira fase, abrangerá voos domésticos dentro dos Estados Unidos continentais. Os termos financeiros do acordo não foram divulgados.

O novo contrato surge depois de, no ano passado, a Amazon ter assegurado um primeiro entendimento semelhante com a JetBlue, para equipar cerca de um quarto da frota da companhia a partir de 2027. Este movimento confirma a crescente procura das companhias aéreas por constelações de satélites em órbita baixa, uma tecnologia que permite ligações mais rápidas e com menos interrupções durante o voo.

A concorrência neste segmento intensificou-se nos últimos meses, com várias companhias a optarem por soluções de conectividade via satélite de nova geração. A Southwest Airlines anunciou recentemente um acordo com a Starlink, que já fornece serviço a bordo a operadores como United Airlines, Alaska Airlines e Hawaiian Airlines.

A escolha da Delta pela solução da Amazon foi influenciada pela relação já existente com a Amazon Web Services, a divisão de computação na cloud do grupo. Essa ligação tecnológica terá pesado na decisão da companhia aérea, que já disponibiliza Wi-Fi na maioria da sua frota, atualmente suportado por serviços de satélite da Viasat e da Hughes.

A Delta opera cerca de 1.200 aviões e refere que aproximadamente 163 milhões de membros do programa SkyMiles já utilizaram o serviço de internet a bordo existente. A escala desta base de utilizadores torna o Wi-Fi em voo num ponto crítico de diferenciação da experiência do passageiro e num mercado relevante para os fornecedores de infraestrutura tecnológica.

Do lado da Amazon, o acordo acontece numa fase decisiva do projeto de internet por satélite, que prevê um investimento mínimo de 10 mil milhões de dólares para comercializar acesso global a consumidores e empresas. Desde abril de 2025, a empresa lançou 214 satélites e planeia mais de 20 lançamentos nos próximos 12 meses, com o objetivo de duplicar o ritmo de expansão da constelação.

A empresa está a testar o serviço com clientes empresariais desde o ano passado e estima estar a poucos meses do arranque comercial. A disponibilização será inicialmente limitada a pequenas regiões, expandindo-se gradualmente à medida que a rede de satélites aumentar.

Apesar da aceleração, a Amazon continua bastante atrás da Starlink em escala operacional. A rede da SpaceX colocou em órbita mais de 10 mil satélites desde 2019, beneficiando da integração vertical com os foguetões reutilizáveis Falcon 9, uma vantagem estrutural que tem permitido uma cadência de lançamentos superior.

Para sustentar a expansão, a Amazon tem cerca de 100 lançamentos contratados com vários operadores espaciais, incluindo Blue Origin, United Launch Alliance — a joint venture entre Boeing e Lockheed Martin — e também a própria SpaceX, através do Falcon 9.

Ao mesmo tempo, a empresa solicitou em janeiro uma extensão de dois anos ao regulador norte-americano das comunicações para cumprir o prazo de julho de 2026 relativo à colocação em órbita de metade do primeiro lote de 3.200 satélites planeados. O pedido motivou críticas da SpaceX e reacendeu a pressão sobre a velocidade de execução do projeto.

Com informação Reuters 

Opinião