WatchGuard aposta em IA autónoma para aliviar pressão sobre os MSPs

A WatchGuard Technologies apresentou a Rai, uma nova plataforma de IA agentic desenvolvida para fornecedores de serviços geridos, com o objetivo de automatizar operações de cibersegurança, reduzir a carga operacional das equipas e permitir uma resposta contínua a ameaças em múltiplos ambientes de clientes. A solução foi revelada durante a conferência EMEA Impact Partner 2026 e integra capacidades de deteção, investigação e resposta autónoma, além de ferramentas de monitorização e gestão centralizada.
6 de Maio, 2026

A WatchGuard Technologies anunciou o lançamento da Rai, uma nova workforce digital baseada em IA agentic criada especificamente para fornecedores de serviços geridos (MSPs – sigla em inglês). A apresentação foi feita durante a conferência EMEA Impact Partner 2026 da empresa e marca um novo passo na estratégia da fabricante para automatizar operações de cibersegurança em ambientes distribuídos.

A Rai foi concebida para funcionar como uma extensão das equipas de segurança dos MSPs, operando continuamente na monitorização de infraestruturas, identificação de ameaças e execução de ações autorizadas em tempo real. Segundo a empresa, a plataforma consegue detetar, correlacionar e responder a incidentes antes de ser necessária intervenção humana, reduzindo o volume de tarefas operacionais atribuídas às equipas técnicas.

A solução foi desenhada para operar de forma contínua, assumindo tarefas de deteção, investigação e resposta a ameaças sem necessidade de supervisão permanente das equipas humanas.

A primeira função já disponível é a Analyst, responsável pela deteção e resposta contínua em endpoints e redes. A WatchGuard descreve esta capacidade como uma primeira linha de resposta que evita que os parceiros tenham de manter equipas dedicadas à gestão permanente de alertas de segurança.

Nos próximos meses, a plataforma deverá receber duas novas funções. A Auditor terá como objetivo identificar falhas de conformidade, configurações incorretas e conflitos em regras de firewall, mantendo simultaneamente registos de auditoria. Já a função Admin ficará encarregue de tarefas operacionais, como agendamento de atualizações, rotação de certificados, gestão de janelas de manutenção e comunicação com parceiros.

Segundo a WatchGuard, esta abordagem pretende libertar os engenheiros de tarefas repetitivas e de baixo valor acrescentado, permitindo que se concentrem em atividades mais estratégicas, incluindo relacionamento com clientes e resolução de incidentes complexos.

Ben Oster, vice-presidente de gestão de produto da empresa, considera que o crescimento do volume e da complexidade das ameaças está a obrigar as organizações a procurarem modelos de operação mais automatizados e preditivos. O responsável defende que a Rai permite aos parceiros escalar operações de segurança de forma mais rápida, mantendo maior consistência na proteção oferecida aos clientes.

A WatchGuard afirma que a plataforma permite aos MSPs aumentar escala operacional sem necessidade de expandir proporcionalmente as equipas técnicas.

O funcionamento e o processo de decisão da Rai ficam visíveis através do novo WatchGuard Insights Hub, uma consola centralizada que agrega dashboards de monitorização e análise. A plataforma permite alternar entre uma visão global do ambiente gerido pelo MSP e análises detalhadas por cliente.

O Insights Hub inclui ainda um Daily Brief integrado, onde são resumidas as ações executadas, os pontos que requerem atenção e o estado de proteção em tempo real dos ambientes monitorizados. A empresa refere também que os controlos permanecem configuráveis, garantindo que os parceiros mantêm supervisão total sobre as ações executadas pela IA.

Michael Ruffolo, senior cyber security engineer and analyst na eSecurity Solutions, destaca que a centralização da informação reduziu a necessidade de alternar entre diferentes ferramentas e simplificou o acompanhamento operacional dos ambientes geridos.

A nova plataforma integra dashboards centralizados e mecanismos de monitorização em tempo real através do WatchGuard Insights Hub.

A introdução da Rai representa também uma evolução da estratégia de IA da WatchGuard, que pretende expandir progressivamente as capacidades agentic da plataforma. Entre as futuras funcionalidades previstas está uma interface baseada em linguagem natural, orientada por intenção, que permitirá aos parceiros interagir diretamente com a plataforma através de comandos conversacionais.

Joe Smolarski, CEO da WatchGuard Technologies, considera que o setor enfrenta uma mudança estrutural na forma como a cibersegurança é executada, argumentando que o crescimento das operações deixou de depender exclusivamente da capacidade de contratar e reter analistas especializados.

A WatchGuard prevê continuar a expandir as capacidades autónomas da Rai, incluindo futuras interfaces em linguagem natural para interação direta com os parceiros.

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